A Tragédia de Elisa Lam
- Sabrina M. Szcypula
- 1 de jun. de 2023
- 9 min de leitura
A morte da jovem canadense que trouxe muitas teorias da conspiração e de fantasmas para o Hotel Cecil.

Quem foi Elisa Lam
Elisa Lam foi uma jovem estudante canadense da Universidade da Colúmbia Britânica, em Vancouver, de 21 anos. Ela era filha de David e Yianna Lam e tinha uma irmã. Sua família era provinda de Hong Kong e seus pais tinham um restaurante chinês no Canadá.
Motivada por sua vontade de conhecer o mundo e aliviar um pouco o estresse ocasionado pela universidade, Elisa decidiu viajar pelos Estados Unidos, indo primeiramente para San Diego, e passando por Los Angeles, Santa Cruz e São Francisco logo em seguida.
Seus pais inicialmente estavam relutantes com a ideia da filha viajar sozinha para um país desconhecido, além de que a jovem sofria de transtorno bipolar e depressão, mas acabaram permitindo após Elisa prometer ligar todos os dias e avisar sobre qualquer coisa, este foi inclusive o motivo dos pais denunciarem seu desaparecimento no dia 31 de janeiro, já que Lam não entrou em contato.
O último local em que foi vista com vida foi exatamente no dia de seu desaparecimento no Cecil Hotel, onde estava hospedada, em um vídeo muito conhecido no elevador.
O Cecil Hotel
Mesmo antes do incidente com a Elisa, o Cecil Hotel já tinha uma má reputação. O hotel foi criado em 1924, contando com 700 quartos e sendo muito maior do que a grande maioria na cidade de Los Angeles
Durante toda a sua história, Cecil passou por várias dificuldades, o que o fez se tornar um estabelecimento barato para se manter, foi assim que ele acabou virando um bom negócio para traficantes, prostitutas, moradores de rua, estupradores e assassinos, também tornando-se o palco de outras mortes causadas por overdoses ou suicídios.
Encontrando-se a poucos metros do Skid Row, uma região que é descrita pela abundância de drogas, crimes, pobreza e vários moradores de rua, o que seria mais como a cracolândia de Los Angeles, sua localidade também influenciou em uma maior insegurança para seus hóspedes, e atraiu a atenção dos moradores de Skid Row para se hospedar por lá.
O Skid Row é considerado um dos lugares mais perigosos do país, além de abrigar vários ex-presidiários ou pessoas que saíram de hospitais psiquiátricos, então é imaginável o quão a localidade é perigosa. Por fim, Cecil também já foi o lar de assassinos muito conhecidos como Richard Ramirez e Jack Unterweger.
Frequentemente o Cecil entrava em contato com a polícia por várias brigas, drogas, assaltos, e outros vários tipos de infrações, sejam elas simples ou sendo crimes mais graves.
Parte do hotel foi dividida e renomeada para Stay on Main em 2011, em uma tentativa de limpar o nome do hotel e continuar funcionando sem toda a lenda urbana ao seu redor. No entanto, em 2014 o hotel foi vendido por 30 milhões de dólares para Richard Born e foi fechado em 2017 para reformas, mas até o momento não foi reaberto por atrasos nas reformas derivados da pandemia.
Na época de todo o caso, Amy Price era a gerente geral do hotel, a mulher trabalhou durante 10 anos no estabelecimento (2007 - 2017) e foi uma das pessoas que mais cooperou com as investigações.
Desaparecida
Elisa se hospedou no Cecil Hotel no dia 28 de janeiro de 2013, e tinha a pretensão de continuar por lá até o dia 31 do mesmo mês. Exatamente no dia em que deveria realizar seu check-out, Elisa foi dada como desaparecida pelos pais.
Quando a polícia começou com as buscas por Elisa, inicialmente a suposição era de que a garota tinha se perdido por não conhecer a área, mas havia o receio de que algo pior pudesse ter acontecido, já que o hotel encontrava-se perto de uma área relativamente perigosa de Los Angeles, e Elisa aparentava ser uma garota inocente, que confiaria facilmente em qualquer um.
Durante a procura, a polícia começou a investigar o hotel com a ajuda de cães farejadores, incluindo no quarto e no telhado do estabelecimento, no entanto não foi encontrado nada alarmante ou que chamasse atenção.
Os objetos pessoais de Elisa já tinham sido retirados do quarto pelos funcionários do hotel quando a polícia começou com a investigação. Segundo Amy, a gerente do hotel, o procedimento de quando um hóspede não faz o check-out e deixa alguns pertences, eles embalam todos os itens por 30 dias e aguardam que alguém busque.
Nas coisas de Elisa estavam seus remédios, o notebook e outros objetos de valor como carteira e documentos, o funcionário que guardou os objetos diz que o quarto não apresentava sinais de luta, apenas a bagunça usual de alguém, a polícia também confirmou que o quarto não tinha nenhum sinal de arrombamento nem de drogas.
O sargento Rudy Lopez admitiu mais tarde que “Nós não revistamos todos os cômodos [referindo-se aos quartos com hóspedes], só poderíamos fazer isso se houvesse algum sinal para acreditar que ali tínhamos um crime”.
Uma das últimas pessoas que viu Elisa foi Katie Orphan, dona de uma loja perto do hotel chamada de The Last Bookstore, ela falou que Elisa comprou alguns livros e discos para sua família, mostrando que ela pretendia voltar para casa, ajudando assim a descartar um possível suicídio.
Mas realmente o último sinal de Elisa vista com vida foi em um vídeo que se tornou um grande viral onde ela se encontra em um elevador, divulgado pela polícia no dia 15 de fevereiro na intenção de ajudar alguém a identificá-la nas ruas, ou por suas roupas ou por seu comportamento. No vídeo, Elisa pressiona todos os botões no painel do elevador, no entanto às portas não se fecham em nenhum momento, depois Lam começa com um comportamento estranho, onde ela pula para fora do elevador e volta, aparentando estar nervosa e se escondendo de alguém.
Por último, Elisa começa a gesticular para o nada, aparentando conversar com alguém que não aparece nas imagens. No fim do vídeo, assim que Elisa saiu definitivamente do elevador, as portas finalmente se fecham e o elevador começa a ir em todos os andares anteriormente solicitados. Rapidamente o vídeo se tornou um viral por toda a estranheza, além de alimentar as várias teorias por terem sua data e hora borradas e aparentar ter sido adulterado em alguns momentos.
O que aconteceu com Elisa
O hotel começou a receber várias reclamações de hóspedes que relataram que a água da torneira estava saindo com uma cor escura por poucos segundos antes de clarear, além de ter um gosto muito esquisito, o que fez com que os funcionários tivessem de fazer uma vistoria nos tanques d’água do hotel.
Assim, no dia 19 de fevereiro de 2013, cerca de 19 dias após ela ter sido dada como desaparecida, o corpo de Elisa Lam foi encontrado em estado de decomposição dentro de um dos tanques d’água por Santiago Lopez, o zelador do Cecil na época. Os tanques se localizavam na cobertura do hotel, possuindo um difícil acesso, o que levantou várias teorias ao redor de como Elisa poderia ter conseguido ir parar por lá.
Segundo o zelador, a tampa do tanque estava aberta quando ele encontrou o corpo da jovem, no entanto as informações dadas pela polícia diziam que a tampa encontrava-se fechada, o que tornaria impossível ter sido apenas um acidente, já que Lam não teria como fechar por dentro.
O escritório do legista demorou cerca de quatro meses para divulgar o relatório da autópsia, este que não relata nenhuma evidência de trauma físico e dando a entender que a causa da morte foi um acidente.
A autópsia também revelou vestígios dos medicamentos de Elisa em seu organismo, mas sugeria que ela tinha parado de tomar por um tempo, o que potencialmente poderia desencadear um episódio psicótico.
Para o legista, o fato de Elisa estar despida seria na intenção de seu corpo não afundar com o peso enquanto mergulhava, mas nada indicava qualquer sinal de abuso.
Investigações
A situação na qual o corpo de Elisa foi encontrado chamou muito a atenção dos policiais, principalmente por todo o histórico presente no Hotel Cecil, que se tornou um grande personagem dentro do caso. Elisa estava nua, com todas as suas roupas flutuando ao seu redor, assim como alguns poucos pertences que carregava consigo.
A cobertura onde os tanques ficavam só poderia ser acessada de duas formas, uma através de uma porta que ficava permanentemente trancada e que só os funcionários sabiam como abrir, além de possuir um alarme que seria ouvido nos dois últimos andares do prédio e direcionado para a recepção. Já a outra possibilidade seria pela escada de incêndio que ficava na área externa do prédio, onde qualquer um conseguiria ver Elisa passando, além de ser íngreme, o que fez com que a polícia pensasse em como ela conseguiu subir sem ser notada e sem cair, já que dado ao seu comportamento no vídeo, ela não parecia estar muito bem.
O vídeo, que foi postado com a intenção apenas de ajudar os investigadores, acabou se tornando alvo de teorias da conspiração e casos de fantasma, fugindo totalmente do foco inicial e até mesmo atrapalhando as investigações.
Várias pessoas que tiveram contato com a Elisa durante sua viagem relataram que ela estava agindo de uma forma estranha, inicialmente Elisa estava dividindo o quarto com outras viajantes, como em um hostel, no entanto foi trocada de quarto por suas colegas terem reclamado da forma estranha como ela agia.
Os funcionários do hotel comentaram em depoimento para a polícia que, no dia em que Elisa desapareceu, ela foi vista anteriormente em uma área proibida para hóspedes agindo um pouco estranho, assim eles pediram para que ela se retirasse e a jovem foi em direção aos elevadores, onde todo o vídeo foi gravado. Esse depoimento, junto dos comentários de pessoas que tiveram contato com ela naquele curto tempo fez com que a polícia levasse ainda mais em consideração que Elisa pudesse realmente estar passando por um estado psicótico.
Teorias
Há quem até hoje acredite que o vídeo de Elisa no elevador é uma prova de atividade paranormal, já que ela aparenta conversar com o nada e o elevador nunca sai do lugar.
Outros acreditam em teorias da conspiração, onde a polícia de Los Angeles teria acobertado quem cometeu um crime contra Elisa, principalmente levando em consideração que a data e hora estavam borrados, e que o vídeo aparenta ter sido cortado e desacelerado em alguns momentos.
Também há a teoria de que Elisa pudesse ser algum tipo de arma biológica para acabar com a população de rua de Skid Row e que foi silenciada para nunca revelar sua verdadeira motivação para ir para lá, essa teoria é embasada no surto de tuberculose que teve na área poucos dias após a Elisa ter sido encontrada, e o teste literalmente chamar-se Lam-Elisa.
Por último, uma das teorias mais comentadas depois das duas anteriores, são as semelhanças do caso de Elisa com o filme de terror Dark Water, onde ocorre um crime parecido, e também sua suposta ligação com o ocorrido contra Elizabeth Short na década de 40, já que Elizabeth chegou a ser vista no bar do Cecil poucos dias antes de desaparecer, e os personagens principais do filme Dark Water chamam-se Dhalia e Cecília.
Coincidência ou não, tudo continua apenas como uma teoria.
Processos
Os pais da Elisa entraram com um processo contra o Hotel Cecil por morte por negligência. Segundo o advogado do casal, o hotel tinha o dever de inspecionar e procurar qualquer perigo no estabelecimento para Elisa e qualquer outro hóspede.
O advogado do hotel argumentou que o Cecil não tinha motivos para pensar que alguém seria capaz de entrar nos tanques de água, o que foi embasado pelo detalhamento de Lopez em como conseguiu ter acesso.
Segundo Santiago Lopez, o zelador que encontrou Elisa, ele teve que fazer um grande esforço para chegar até os tanques. No caso de não se utilizar a porta dos funcionários, era necessário subir pela escada de incêndio, que só era acessada quando a pessoa saía pela janela.
Já na cobertura, seria necessário subir a plataforma do tanque que era bem alta, subir uma escada de 3 metros, abrir a tampa do tanque que pesava 10 quilos, e só então entrar, sendo impossível fechar a tampa do lado de dentro pois a água não era tão próxima e o peso da tampa também atrapalha.
O juiz Howard Halm, da Corte Superior de Los Angeles, decidiu que a morte de Lam era algo imprevisível, então ela foi julgada improcedente.
Conclusão
O caso foi fechado como morte acidental pela polícia de Los Angeles, dado que nunca houve alguém para ser levado como suspeito.
Mesmo com as várias teorias em torno de todo o caso de Elisa Lam, nunca houve uma verdadeira prova para ser analisada de que alguém tenha assassinado a garota, já que nem mesmo o próprio corpo dela indicava isso.
Um homem chegou a ser incriminado pela internet, chamado de Pablo Vergara, mais conhecido como Morbid, no entanto nada o ligava ao caso já que nem ao menos estava em Los Angeles na época, essa acusação foi tão grave que Pablo recebia todos os dias várias ameaças de ódio, chegando ao ponto de levá-lo ao hospital psiquiátrico para cuidar de sua saúde mental.
Até hoje há várias suposições de como Elisa realmente entrou dentro do tanque, sendo as escadas o acesso mais provável para ela, no entanto o caso ainda deixa essa dúvida pairando.
Referências na Cultura Pop
American Horror Story - Hotel (Série)
Dark Water (Filme)
Cena do Crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil (Documentário)
Fontes
Cena do Crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil




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