JonBenét Ramsey: Uma tragédia sem solução
- Sabrina M. Szcypula
- 30 de abr. de 2023
- 7 min de leitura
Atualizado: 17 de mai. de 2023
O brutal caso da pequena mini-miss que segue até os dias de hoje como um grande mistério para as autoridades.
Conteúdo sensível

A curta vida de JonBenét
JonBenét Patricia Ramsey era uma criança alegre e extremamente gentil segundo aqueles que tiveram a chance de a conhecer. A pequena mini-miss estadunidense de apenas 6 anos (6 de agosto de 1990) cativava todos ao seu redor - inclusive os diversos juízes de concursos - com seu jeito de ser, porém sua história foi brutalmente interrompida na madrugada do dia 26 de dezembro de 1996 na cidade de Boulder, Colorado, quando a garotinha foi assassinada em sua própria casa e até os dias atuais, não se possui evidências de quem teria cometido o horrível crime.
A pequena JonBenét nasceu em Atlanta, na Georgia e teve seu nome inspirado na junção dos nomes dos próprios pais, sendo eles John e Patricia (Patsy) Ann Ramsey, sendo desde o nascimento uma espécie de “bonequinha” para seus pais.
Desde muito pequena a menina participou de diversos concursos de beleza, sendo inclusive conhecida nacionalmente por ser uma pequena rainha da beleza. O fato de Patsy Ramsey inscrever a filha nos concursos era visto quase como uma tradição de família, já que a própria Patsy havia sido nomeada Miss West Virginia em 1977, porém após o crime, o público julgou este como um dos piores erros da família, já que os concursos são considerados o que trouxe atenção de seu assassino para a criança.
Na época em que o crime ocorreu, JonBenét morava com seus pais e com seu irmão mais velho Burke (9 anos) na cidade de Boulder.
O crime
Na manhã do dia 26 de Dezembro de 1996, a família Ramsey encontrou uma nota de três páginas na escada principal da casa relatando o sequestro da pequena JonBenét com um pedido de resgate no valor exato do dinheiro ganho por John como bônus de Natal ($118 Mil dólares) – coisa que de imediato chamou a atenção dos investigadores e até mesmo do próprio John, que comentou o fato com estranheza enquanto prestava seu depoimento – e, após o encontro da nota, a polícia foi acionada por Patsy Ramsey.
Inicialmente, o caso foi tratado apenas como um sequestro tanto pela família quanto pela polícia e, por conta disso, a família Ramsey informou os familiares e amigos do ocorrido e rapidamente a casa – principal cena do crime – estava repleta de pessoas.
Os familiares e amigos da família chegaram na casa até mesmo antes da própria polícia, o que indicava que os Ramsey tinham ligado com antecedência para eles, levantando futuramente suspeitas sobre a família junto com outros fatos estranhos no caso, além de se mostrar um grande empecilho durante as investigações.
Naquela mesma tarde, oito horas após o desaparecimento de JonBenét, John encontrou o corpo já sem vida da filha em uma parte mais escondida do porão da casa. A menina se encontrava no chão com uma fita tapando sua boca, com seus pulsos amarrados e coberta por um cobertor branco de seu quarto. Assim que encontrou o corpo de sua filha desfalecido, John pegou a garota em seu colo e levou a mesma até a sala – outro ato que dificultou as investigações -, fazendo que qualquer resquício de esperança de encontrar a menina com vida acabasse.
No laudo da autópsia, foi indicado que a menina havia sofrido uma pancada muito forte na cabeça e sido estrangulada – um garrote foi encontrado amarrado em seu pescoço – mas um fato que perturbou a todos foi o de que a autópsia apontou uma “abrasão e congestão vascular da mucosa vaginal”, indicando que a pequena miss havia sofrido uma forma de abuso sexual.
A causa oficial da morte foi divulgada como asfixia devido a estrangulamento, associada com traumatismo cranioencefálico.
Reações e a mídia
O caso ganhou uma notoriedade nacional absurda, mantendo um grande interesse do público e da mídia por muito tempo, seja por conta da família ser muito conhecida já que John era um homem rico e influente, pela brutalidade do crime com uma criança de apenas 6 anos, ou também por conta dos vários concursos de beleza pelos quais JonBenét fora submetida, já que acusavam este de ser um dos grandes motivos da garotinha ter sofrido o ataque.
No final de 1998, o procurador do distrito do condado de Boulder Alex Hunter, apresentou o caso a um júri de oito mulheres e quatro homens onde os estes tiveram acesso a absolutamente todas as provas que os promotores possuíam do caso, sendo eles umas das poucas pessoas que conseguiram esse feito já que até os dias atuais, nunca divulgaram todas as provas do processo contra john e Patsy Ramsey.
O júri recomendou acusações contra os pais, indicando que os jurados acreditavam que os pais colocaram JonBenét em uma situação que resultou em sua morte – os ditos concursos, que possivelmente atraíram a atenção de seu assassino – mas o promotor anulou as indicações por falta de provas.
Investigações
Inicialmente, todos os membros da família forneceram amostras de caligrafia, sangue e cabelo à polícia, dispostos a ajudar na investigação, mas depois de um tempo, principalmente Patsy já não estava mais tão disposta a fornecer amostras, e não permitiu que o filho mais velho, Burke, também continuasse a fornecer as amostras.
O fato do bilhete de resgate conter três páginas e a quantia exata que John ganhara naquele fim de ano causou muita suspeita, não só à família, como também aos vizinhos e pessoas próximas da família, que poderiam ter o conhecimento desse dinheiro.
Este mesmo bilhete de resgate, além de ser absurdamente grande comparado à qualquer outro e ter a quantia exata que John ganhará, levantou outra suspeita quando foi descoberto que fora escrito com papel de um bloco do escritório e uma caneta pertencentes à família, o que tornava tudo ainda mais estranho já que o sequestrador – no caso assassino – não iria ter tanto tempo para escrever na própria cena do crime um bilhete tão grande – até mesmo um bilhete curto geraria estranheza, já que o sequestrador só pensaria em sair da casa o mais rápido possível, então escrever na cena do crime certamente não seria um ato muito inteligente de se ter -.
Por último, ainda sobre o bilhete, a caligrafia escrita no bilhete era extremamente parecida com a de Patsy Ramsey, fato que levantou ainda mais suspeitas sobre a família.
Outro fator que dificultou as investigações, foi o fato de que diversas pessoas entraram na casa durante o período em que tudo era tratado como um sequestro e até mesmo ajudarem a limpar o local, ato este que contaminou a cena do crime, até mesmo os próprios policiais da época contaminaram o local por conta da falta de experiência com esse tipo de crime.
Tudo já caminhava para uma investigação repleta de problemas mas, um dos principais fatores que atrapalhou as investigações foi John, que movimentou o corpo de sua filha da principal cena do crime, contaminando completamente qualquer pista deixada no local em que a garota estava e até mesmo no corpo da menina.
O caso se seguiu por muito tempo sem nenhuma atualização e quase em um beco sem saída, porém em Julho de 2008, 12 anos após o trágico fim de JonBenét, a promotora de Boulder Mary Lacy declarou que os pais não tinham nenhuma ligação com o caso, pois amostras de DNA coletadas das roupas e unhas de JonBenét indicavam pertencimento a um homem não identificado.
Os exames haviam sido conseguidos através do uso de técnicas de análise não existentes naquela época, mas que apontavam para um homem de origem hispânica.
O caso foi definitivamente reaberto em Outubro de 2010 e, ao longo dos anos, outras atualizações começaram a surgir referentes ao caso, como em Outubro de 2016 que, com novos exames de DNA, com o uso de técnicas mais avançadas, revelaram que foi encontrado o DNA não só de um homem, mas sim de duas pessoas nunca identificadas com a base de dados do governo.
Em Janeiro de 2019, Michael Vail levou à polícia uma carta escrita por um amigo, Gary Oliva, onde este confessava o crime. Na carta, Gary escreveu “Nunca amei ninguém como amei JonBenét. Eu a deixei dormir e sua cabeça bateu e eu a assisti morrer. Foi um acidente. Por favor, acredite em mim. Ela não era como as outras crianças.”
Michael tinha Gary como suspeito porque no dia do assassinado havia recebido uma ligação do amigo soluçando e dizendo que havia machucado uma menina. Em 2019, Gary cumpria pena de 10 anos de prisão por posse de pornografia infantil e outras fotos de crianças, que incluía imagens da autópsia de JonBenét. Gary até mesmo já havia sido investigado como suspeito em 2002, mas acabou não levando a lugar nenhum.
Teorias por trás dos fatos
Várias teorias foram levantadas durante os anos, e muitas delas culpavam os pais.
Uma das teorias levantadas pela população era a de que John estuprava a filha e, ao que Patsy descobriu, ficou furiosa e acabou matando a criança. Essa teoria nunca foi levada como algo com muita credibilidade pois não havia indícios de que John era culpado por qualquer abuso na filha.
Outra teoria era a de que Bill McReynolds, o papai noel que estava na casa dos Ramsey duas noites antes de todo o ocorrido teria cometido o crime após encontrarem um bilhete do homem para a garotinha dizendo que “você receberá um presente especial depois do natal” e por outras coincidências estranhas. Essa teoria se comprovou falsa após Bill e sua esposa terem cedido amostras de DNA e caligrafia para a polícia.
Uma das teorias mais sustentadas era a de que Burke, o irmão mais velho, morria de ciúmes da irmã por ser a mais nova e ter mais atenção dos pais e outros familiares e, em uma de suas brincadeiras um pouco violentas, acaba acertando com muita força a cabeça de JonBenét, fazendo com que a irmã desmaiasse. Para proteger o filho mais velho, John e Patsy teriam acobertado todo o crime, enrolando o garrote no pescoço da menina e inventado toda a história da carta e do desaparecimento.
De fato, tudo continua sendo apenas teoria e, mesmo que a família tenha sido descartada como suspeita, a casa não apresentava nenhum sinal de arrombamento, até mesmo uma janela que estava quebrada no porão não apresentava que alguém de fato passou por ela, já que as teias de aranha estavam intactas na mesma.
Conclusão
Agora, 26 anos após o caso, JonBenét continua sendo um grande mistério para a polícia dos EUA, um trágico fim para uma criança que, atualmente, já teria 32 anos de idade.
Mesmo após todo esse tempo, o caso ainda continua em aberto em Boulder, a procura de finalmente desvendar quem verdadeiramente assassinou JonBenét e colocar um ponto final nesse trágico ocorrido.
Obras inspiradas no crime
Quem matou JonBenét? (Mini-série do Investigação Discovery)
Casting JonBenét Ramsey (Netflix)
JonBenét and Murder Town
Quem matou JonBenét? (Lifetime)
The Case of JonBenét Ramsey (Mini-série do CBS)
Getting Away With Murder: The JonBenét Ramsey Mystery
Fontes
Texto por: Sabrina Moreira Szcypula




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