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O Assassino do Zodíaco

  • Foto do escritor: Sabrina M. Szcypula
    Sabrina M. Szcypula
  • 14 de jul. de 2023
  • 11 min de leitura

Após mais de 50 anos, o assassino do Zodíaco continua sendo um grande mistério.


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Breve histórico do Zodíaco

O assassino do Zodíaco é o nome comumente associado a um serial killer estadunidense que atuou no norte da Califórnia no fim da década de 1960 escolhido pelo próprio assassino. Até os dias de hoje, a identidade de Zodíaco continua sendo um grande mistério, por mais que haja suspeitas de quem esse homem possivelmente foi.

Um de seus costumes mais famosos, era o de enviar cartas ameaçadoras e cheias de zombarias à polícia e à imprensa, realizando esse ato até 1974. Foi em uma de suas cartas que este se auto denominou Zodíaco. Dentro dessas cartas, ele ainda incluiu quatro criptogramas, dos quais três continuam sem ter sido decifrados.

Atualmente, o caso continua aberto, entretanto as investigações estão paradas devido à falta de provas.


Primeira vítima

No dia 20 de dezembro de 1968, o assassino do Zodíaco fez suas primeiras vítimas. O casal David Arthur Faraday, de 17 anos, e Betty Lou Jensen, de 16 anos, estavam realizando um passeio noturno em Lake Herman Road, um local conhecido por ser o ponto de encontro entre os jovens, quando foram surpreendidos por um homem misterioso que estacionou atrás do do carro do casal.

David foi morto ainda dentro de seu carro com tiros, já Betty conseguiu sair do veículo e correr, no entanto foi baleada e seu corpo encontrava-se a 23 metros do carro.


Crimes

Após o assassinato de David e Betty, o segundo ataque de Zodíaco ocorreu no dia 4 de julho de 1969 contra outro casal em Blue Rock Springs Park, localizado em Vallejo, apenas 3KM de distância do local onde David e Betty foram assassinatos. As vítimas foram identificadas como Michael Renault Mageau, de 19 anos, e Darlene Elizabeth Ferrin, de 22 anos.

Os dois haviam saído com o intuito de comprar fogos de artifício para o feriado e estavam indo em direção ao parque. Mageau relatou posteriormente que um homem dirigindo um Falcon 1958 estacionou atrás do carro de Darlene e ligou uma lanterna no rosto do casal, após isso, o homem atirou inúmeras vezes na direção dos dois, ceifando a vida de Darlene, já Mageau teve ferimentos graves, mas conseguiu sobreviver.

Exatamente à 00h40 daquela noite, um ligou ligou para a delegacia de Vallego de um telefone público, relatando o duplo assassinato e dizendo em detalhes como chegar ao local, o homem não deixou a telefonista lhe interromper em nenhum momento, finalizando com “Eles foram mortos com uma Luger 9mm. Eu também matei aqueles garotos no ano passado. Adeus.”

Três meses após o crime, no dia 27 de setembro de 1969, o casal Bryan Hartnell e Cecelia Shepard, estavam realizando um passeio no Lago Berryessa e pararam em uma clareira para um piquenique, a 466 metros da estrada.

Enquanto o casal encontrava-se distraído, um homem corpulento, de possivelmente 1,80 de altura, usando de uma roupa preta e um capuz com o símbolo do Zodíaco (um círculo cortado por uma cruz no centro, imitando uma mira de arma), os abordou.

Os dois foram amarrados no chão e esfaqueados diversas vezes. Cecelia faleceu com 24 ferimentos de faca espalhados por seu corpo, enquanto Bryan conseguiu sobreviver.

Antes de ir embora, o assassino deixou escrito na porta do carro de Bryan, que encontrava-se na estrada, a seguinte descrição: “Vallejo. 20-12-68. 4-7-69. 27 set, 69-6h30. A faca.”

No dia 11 de outubro de 1969, o taxista Paul Stine estava transportando um passageiro que foi pego em Forte Heights, que tinha como destino a esquina da rua Washington com a Maple. O passageiro pediu ao taxista para andar uma quadra a mais, parando em Washington com a Cherry, onde disparou com uma pistola a queima roupa contra o crânio de Paul, que morreu na hora.

No ano seguinte, na noite de 22 de março, Kathleen Johns estava fazendo uma viagem entre San Bernardino e Petaluma para visitar sua mãe, quando foi abordada por um homem em outro veículo que solicitou sua parada. O homem informou à jovem que a roda traseira do veículo estava solta e que, se ela desejasse, ele poderia consertar. Após ter andado mais alguns metros, a roda do carro se soltou, e o homem que ainda dirigia atrás dela lhe ofereceu carona. Kathleen estava acompanhada de seu filho de colo, então prontamente aceitou a ajuda.

Dentro do carro o homem começou a ameaçar Kathleen e seu filho, e levada pelo desespero, ela se atirou para fora do carro com a criança e se escondeu em meio à vegetação. O assassino ainda tentou encontrá-la rondando o local por um tempo, no entanto ele desistiu e foi embora.

Dias após o sequestro, Kathleen prestou queixa contra o ocorrido e reconheceu seu sequestrador em um cartaz de procurado na delegacia, o cartaz em questão era em referência ao retrato falado de Zodíaco.

Zodíaco reivindicou cerca de 37 homicídios em meio à suas cartas, no entanto os investigadores apenas o ligaram com certeza à sete vítimas, nas quais duas sobreviveram, além do sequestro de Kathleen.


Possível Envolvimento

Alguns meses após o sequestro de Kathleen, Zodíaco enviou uma carta ameaçadora à Paul Avery, um jornalista investigativo, e nessa mesma época, veio a tona o assassinato de Cheri Jo Bates, uma estudante de Riverside City College de apenas 18 anos. Cheri foi brutalmente esfaqueada por um homem misterioso que, após ter cometido a atrocidade, escreveu o que ocorreu em uma tábua de madeira encontrada dentro da universidade onde a jovem estudava, além de ter enviado cartas à família da vítima.

Por mais que o modus operandi de toda a cena do crime fosse muito semelhante ao de Zodíaco, nunca foram encontradas provas suficientes para conectá-lo ao assassino em série.

No dia 22 de março de 1971, outra carta foi enviada à Paul, onde Zodíaco assumia a autoria do desaparecimento de Donna Lass, de 25 anos, ocorrido no dia 6 de setembro de 1970. Na carta, o remetente colocou frases recortadas de um jornal, sendo elas “12 a vítima é procurada”, “vasculhar os pinheiros”, “além das áreas do Lago Tahoe”, “Sierra Club” e “no meio da neve”.

Donna desapareceu após sair de seu trabalho no Hotel Sahara Tahoe, e seu carro foi encontrado na frente do seu apartamento. No local não havia nenhum sinal de luta corporal ou indícios de algum suspeito, e seu corpo nunca foi encontrado.

Também não é uma certeza que Zodíaco realmente enviou aquela carta à Paul, pois como foram recortes, não houve como fazer um teste de caligrafia, no entanto, o estilo do autor era extremamente parecido com as outras cartas comprovadas de Zodíaco.

Robert Domingos, de 18 anos, e Linda Edwards, de 17 anos, foram baleados e mortos no dia 4 de julho de 1963, em uma praia aos arredores de Gaviota. Por mais que o caso seja extremamente semelhante aos ataques de Zodíaco que vieram posteriormente, nunca houve nenhuma confirmação.


Investigações

Os responsáveis pelas investigações do caso do Zodíaco foram os detetives Dave Toschi e Bill Armstrong, que inicialmente estavam investigando apenas o homicídio de Paul Stine, considerado em primeiro momento como uma tentativa de assalto.

A investigação só passou a ser levada como a procura por um serial killer após o próprio Zodíaco enviar uma carta para o San Francisco Chronicle, contando os detalhes da execução do crime com um pedaço da camisa da vítima junto da carta.

Infelizmente, dado à época em que tudo aconteceu, por mais que a polícia tivesse sim algumas evidências, elas nunca renderam muito sucesso.

Das cartas, foi obtida a amostra de caligrafia do assassino, assim como impressões digitais e DNA, mas fora as cartas, o assassino não deixou praticamente nenhuma evidência física em seus crimes.

O FBI nunca realizou formalmente sua própria investigação, deixando a polícia da cidade realizar a investigação sozinha, no entanto eles chegaram a consultar a Polícia de São Francisco com algumas evidências forenses. O perfil comportamental do assassino também não produziu quase nenhum resultado, já que na época era algo pouco explorado.

Em 2004, o Departamento de Polícia de São Francisco (SFPD, na sigla em inglês) marcou o caso como inativo devido à falta de provas depois de tantos anos, no entanto ele foi reaberto em 2007 em outras jurisdições.

Em agosto de 2008, Denis Kaufman, um homem de Sacramento, entregou evidências à polícia, indicando que seu padrasto possivelmente era Zodíaco. Dentre as evidências, foi entregue um capuz preto, uma faca com sangue, alguns escritos e rolos de filme fotográfico que foram examinados diretamente pelo FBI, no entanto a investigação segue parada por falta de provas.

Em 2021, um grupo de 40 ex-investigadores que se tornaram independentes nomeados de “Os Case Breakers”, disseram ter identificado quem seria o Assassino do Zodíaco, utilizando de novas evidências físicas e forenses, além de informações de testemunhas oculares. No comunicado enviado à polícia, eles nomearam o assassino e informaram que este tinha falecido em 2018.

O SFPD, assim como o FBI, confirmaram para a CNN que seguiria com as investigações com as evidências enviadas pelos Case Breakers: “Não podemos falar sobre possíveis suspeitos, pois esta ainda é uma investigação aberta”.

Como não houveram maiores atualizações após o ocorrido, é muito possível que as investigações também não renderam em uma confirmação do suspeito, deixando o Assassino do Zodíaco como inconclusivo até hoje.


Cartas

No dia 1 de agosto de 1969, três cartas foram escritas pelo serial killer e enviadas a três jornais divergentes, sendo eles o Vallejo Times Herald, San Francisco Chronicle e San Francisco Examiner.

Na carta para o San Francisco Chronicle, o assassino dizia:

“Caro editor. Aqui é o assassino dos 2 jovens no último Natal no Lago Herman e da moça no dia 4 de julho perto do campo de golfe em Vallejo. Para provar que os matei, eu vou contar alguns fatos que só eu e a polícia conhecemos.

Natal

1. Marca da munição Super X;

2. 10 tiros foram disparados;

3. O jovem estava de costas com os pés apontados para o carro;

4. A jovem estava deitada sobre o lado direito com os pés voltados para o Oeste.

4 de julho

1. A jovem estava usando calças estampadas;

2. O jovem também foi baleado no joelho;

3. A marca da munição foi western.

Aqui está a parte de um código, as outras duas partes deste código estão sendo enviadas aos editores do Vallejo Times e do SF Examiner. Quero que o senhor publique esse código na primeira página do seu jornal.

Nesse código está minha identidade.

Se o senhor não publicar esse código até a tarde da sexta-feira, 1° de agosto de 69, vou iniciar uma matança louca sexta-feira à noite. Vou perambular todo o fim de semana matando pessoas solitárias à noite e continuar matando de novo, até que eu tenha uma dúzia de pessoas no fim de semana.”

Os três jornais publicaram uma parte do texto das cartas, mas, atendendo aos pedidos da polícia, não reproduziram a carta fielmente como foi enviada. Isso foi feito na intenção de preservar alguns fatos que só o assassino saberia.

No dia 4 de agosto de 69, o casal Donald Gene Harden de 41 anos (um professor de história e economia na North Salinas) e Bettye June Harden, foram os responsáveis por decifrar um dos códigos disponibilizados pelos jornais.

“Gosto de matar pessoas porque é muito divertido. É mais divertido do que matar animais selvagens na floresta, porque o homem é o animal mais perigoso de todos para matar. Alguma coisa me dá a mais emocionante experiência. É melhor até do que fazer sexo com uma garota. A melhor parte disso é que, quando eu morrer renascerei no paraíso e os que eu matei se tornarão meus escravos. Não vou dizer meu nome, senão vocês vão tentar retardar ou para minha coleção de escravos para depois da morte. EBEORIETEMETHHPITI”

No dia 7 de agosto de 69, outra carta foi entregue, dessa vez à polícia e contendo três páginas. Foi nesse momento que utilizou pela primeira vez o nome de Zodíaco, além de dar mais detalhes dos assassinatos de Vallejo.

Em dezembro de 2020, a imprensa reportou que a carta para o SFC em 69 havia sido decifrada e que dizia: “Espero que estejam se divertindo muito tentando me pegar. Não era eu no programa de TV, isso levanta um ponto sobre mim, não tenho medo da câmara de gás porque ela vai me mandar para o paraíso muito mais cedo porque agora tenho escravos suficiente trabalhando para mim, onde todos os outros não têm nada quando alcançam o paraíso então eles têm medo da morte. Não tenho medo porque sei que minha nova vida será fácil no paraíso da morte” O trabalho para decodificar foi iniciado em 2006 pelo web designer David Oranchak, o matemático Sam Black e o especialista em logística Jarl Van Eykcke.

Em janeiro de 74, o assassino enviou uma carta para o Chronicle elogiando o filme O Exorcista, além de colocar Eu=37, SFPD=0, como quem dizia que já tinha feito 37 vítimas e a polícia não fez nada.

Em abril de 78 outra carta foi enviada, mas esta foi desconsiderada pois aparentemente o investigador Dave Toschi era o responsável por criá-la. Por mais que os testes de caligrafia indicassem que ele não tinha nenhum envolvimento, ele foi afastado do caso e a carta não foi definitivamente considerada como uma das enviadas por Zodíaco.

Um ponto importante é que Zodíaco sempre assinava suas cartas com um círculo e uma cruz sobre ele, como uma imitação de um alvo ou um símbolo de coordenada. As autoridades nunca decodificaram completamente os símbolos enviados pelo assassino, mas acreditavam que a assinatura representava os locais onde iria atacar.

Pouco após o sequestro de Kathleen, o assassino enviou uma um cartão de Halloween a Paul Avery no dia 27 de outubro de 1970. O homem era um jornalista investigativo do Chronicle. O jornalista já tinha feito muitas matérias sobre o Zodíaco, em algumas o chamando de homossexual enrustido por sempre se esforçar para matar as mulher mas não os homens.

No cartão, dizia o seguinte: “Sinto nos meus ossos, você pena para saber meu nome, então vou dar uma pista… Mas então por que estragar nosso jogo! Feliz Halloween.”


Modus Operandi

Ao analisar os ataques do assassino, a polícia conseguiu montar um modus operandi muito claro para o serial killer.

Zodíaco tendia a atacar casais, sendo sua maior preferência, e o ataque às mulheres acabava sendo muito mais violento do que aos homens. Outro ponto é que ele tinha uma grande preferência por áreas isoladas, como estradas conhecidas por serem pontos de encontro, e costumava atacar em épocas festivas.

Em questão de armas, Zodíaco sempre utilizava sua Luger 9mm, ou atacava com uma faca, além de ter o costume de escrever várias cartas para os jornais, polícia e pessoas envolvidas, onde comentava como “matar era como um esporte” para si.


Suspeitos

Além do homem identificado em 2020, que segue sem confirmação por conta de seu falecimento em 2018, e o padrasto de Dennis Kaufmann, outros suspeitos foram identificados pela polícia.

Um dos homens identificados por Robert Graysmith, em seu livro chamado Zodiac, foi Arthur Leigh Allen, baseado em várias evidências circunstanciais. Allen foi entrevistado pela polícia desde os primeiros dias de investigação, além de ter passado por vários mandados de busca em um período de 20 anos.

O suspeito já tinha sido visto nas proximidades dos locais do crime, além de um de seus amigos ter relatado que ele tinha comentado uma vez que desejava matar pessoas, usando o codinome de Zodíaco em 69.

Allen havia sido demitido da Marinha da Califórnia, o que era uma prova circunstancial já que o último código decodificado utilizava de caracteres das forças armadas. Outro ponto é que ele foi acusado de pedofilia enquanto professor do ensino fundamental. Ele foi preso por abuso infantil em 1974 contra um menino de 12 anos e ficou na cadeia por dois anos.

Em 2002 ele foi descartado como suspeito após terem comparado seu DNA com os encontrados nas cartas enviadas pelo Zodíaco e o resultado indicou que ele não tinha conexão com os crimes, assim como a caligrafia não era semelhante à do Zodíaco. Em março de 2018, foi anunciado que a amostra de DNA da carta foi coletada da parte de fora do selo, ao invés de coletada atrás, o que significava que Allen ainda poderia ser um suspeito.

Além desses três, nenhum outro suspeito chamou tanto a atenção, seja da polícia ou do público, no entanto, várias pessoas foram levantadas como suspeitas.


Conclusão

Hoje, quase 55 anos após o primeiro assassinato ter acontecido, o Assassino do Zodíaco continua sendo uma grande incógnita para a polícia dos Estados Unidos, deixando dúvidas que provavelmente nunca serão sanadas, já que, sem provas concretas como exames de DNA, é extremamente difícil chegarem a conclusão de quem verdadeiramente era o Zodíaco.


Referências

  • Zodiac - Robert Graysmith (Livro)

  • Zodíaco - David Fincher (Filme com Robert Downey Jr., Mark Ruffalo e Jake Gyllenhaal)

  • Times seventeen: The amazing story of the zodiac murders in california and massachusetts, 1966-1981 (Livro)

  • O Zodíaco - Alexandre Bulkley (Filme)


Fontes

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