O massacre natalino
- Sabrina M. Szcypula
- 28 de jun. de 2023
- 7 min de leitura
O caso da família Lawson, onde o patriarca tirou a vida de 7 integrantes de sua família e se matou após o crime.

A família Lawson foi protagonista de um dos maiores massacres natalinos dos Estados Unidos, onde o patriarca Charles Lawson simplesmente decidiu dizimar quase todos os filhos e a esposa na tarde de Natal em sua propriedade em Booke Cove Road, no condado de Stokes, Carolina do Norte.
Os protagonistas da infeliz história
Charles Lawson nasceu no dia 10 de março de 1886, sendo filho do casal Augustos e Nancy Lawson e tendo uma irmã chamada Marion e um irmão chamado Elijah. Ele se casou aos 25 anos com Fannie Manring e os dois mantiveram o relacionamento por cerca de 18 anos. O fruto do relacionamento de Charles e Fannie foi cerca de oito crianças, sendo exatamente quatro meninos e quatro meninas, infelizmente o terceiro mais velho, William, faleceu aos 6 anos devido a uma doença, 9 anos antes de toda a tragédia acontecer.
A filha primogênita era Marie, que tinha 17 anos na época, após ela vinha Arthur, que tinha 16 anos e foi o único a sobreviver ao massacre, e em seguida o falecido William que já teria 15 anos se ainda estivesse vivo. Os outros mais novos eram Carrie de 12 anos, Maybell de 7, James de 4, Reymond de 2 e Mary Lou de apenas 4 meses.
A família trabalhava como meeiros produzindo tabaco, ou seja, eles trabalhavam nas terras de outro proprietário e tinham que dividir todo o lucro com o dono, mas eles finalmente tinham adquirido a propriedade na qual moravam apenas dois anos antes de tudo acontecer.
No dia 25 de dezembro de 1929, Charles levou à família para fazer compras e tirar um retrato, o que era incomum para famílias de classe trabalhadora na época já que era absurdamente caro, mas foi levanta a hipótese em cima dessa ação de Charles teria premeditado toda a violência que cometeu, já que parecia estar com a intenção de imortalizá-los antes de tudo acontecer.
Assassinatos
Quando já estavam em casa após o passeio para comprar as roupas e tirar a fotografia que ficaria posteriormente eternizada por ser a última da família, as meninas Carrie e Maybel foram as primeiras a serem surpreendidas quando Charles atirou nas filhas com uma espingarda de calibre 12 enquanto elas estavam passando pelo celeiro, a caminho da casa dos tios que moravam perto da residência dos Lawson. Para garantir que as duas tivessem morrido, Charles ainda golpeou as crianças com a base da arma em suas cabeças.
A próxima vítima do patriarca foi sua esposa Fannie, que no momento estava na varanda de casa quando recebeu o disparo fatal que tirou sua vida.
Marie ainda tentou pegar os irmãos mais novos, James e Raymond, para escondê-los e evitar que os dois também fossem assassinados quando ouviu o tiro que o pai desferiu em sua mãe. Infelizmente os esforços da adolescente não foram o suficiente já que Charles também atirou nos três e os agrediu com a base da arma. Por último, ele foi até o quarto da bebê Mary Lou e a espancou até a morte.
Após dizimar a família, Charles caminhou até a floresta que havia próxima de sua casa e cometeu suicídio, deixando para trás o extermínio que realizou, entretanto foi comprovado que ele ainda ficou perambulando pela floresta por horas, e seu suicídio só ocorreu após os corpos terem sido encontrados e a cidade inteira já estar ciente do crime. Os vizinhos inclusive chegaram a ouvir o disparo que tirou a vida de Charles no meio da floresta, assim como os policiais que já estavam na casa. O corpo de Charles foi encontrado abaixo de uma árvore com algumas cartas para seus pais ao seu redor.
O único que foi poupado foi Arthur, que sobreviveu apenas por não estar em casa no momento em que toda a chacina ocorreu. A pedido de Charles ele tinha ido comprar cartuchos da espingarda para ir caçar com o pai mais tarde, o que era uma tradição local da pequena cidade, sendo inclusive o motivo dos vizinhos não desconfiarem do barulho da chacina em primeiro momento, já que podia apenas podia ser um pai e um filho realizando a tradição.
Quem encontrou o corpo de toda a família foram os irmãos de Charles que haviam ido até a residência para desejar um feliz natal, todas as vítimas estavam com os braços cruzados e com rochas abaixo de suas cabeças.
Hipóteses que surgiram
Depois de toda a chacina ter ocorrido vários rumores começaram a se espalhar, e dentre eles surgiu a hipótese de se tratar de um crime organizado na intenção de parecer que Charles quem havia cometido os assassinatos de sua família, quando na verdade não havia sido ele. Nesse rumor, a população imaginava dois cenários, um onde alguém com quem Lawson tinha alguma inimizade cometeu todos os crimes e o culpou posteriormente, e no outro cenário, onde Charles teria presenciado alguma organização criminosa agindo sem ter intenção, o que os motivou a cometer o crime para silenciá-lo e também à sua família.
Essa hipótese, porém, foi descartada pela polícia, já que durante todas as investigações não surgiu nenhuma evidência de outra pessoa estar envolvida no crime além de Charles.
Nunca ficou claro o porquê de Lawson ter poupado o filho mais velho e o mandado para a cidade enquanto exterminava os outros 6 filhos, assim como também nunca ficou claro suas motivações para ter passado de um pai considerado amoroso para um assassino, mas surgiu uma suspeita de que talvez ele tenha poupado o homem mais velho apenas para que o legado Lawson pudesse continuar.
Essa hipótese surgiu exatamente pelos atos de Charles antes de cometer o crime, já que ele investiu muito dinheiro em roupas e em uma fotografia em família para eternizá-los. A linha de raciocínio que surgiu com essas ações do homem foi a de que ele poderia ter tirado o filho mais velho de casa na tentativa de que alguém ainda conseguisse manter o legado Lawson e continuar passando ele para uma próxima geração.
Essa linha de raciocínio no entanto não há como ser comprovada, já que apenas o próprio Charles poderia respondê-la, e ainda há quem pense que ele apenas retirou o filho de casa para que este não tentasse impedi-lo de realizar a chacina, já que ele tinha sim como enfrentá-lo.
Teorias
Como as motivações de Charles nunca foram explicadas, algumas especulações surgiram ao redor do que poderia tê-lo levado até o surto que o fez tirar a vida de toda sua família.
Uma das teorias mais fortes que surgiu foi a partir do livro de Trudy J. Smith e M. Bruce Jones, White Christmas, Bloody Christmas. No livro, especula-se que Charles teve uma relação incestuosa com sua filha mais velha, Marie, e Fannie tinha pleno conhecimento dos ocorridos, já que conversou inclusive com seus familiares sobre suas preocupações ao redor dessa relação, e isso foi revelado para os autores do livro por Stella Lawson, a sobrinha de Charles.
Nesse envolvimento a Marie teria engravidado do próprio pai, e temendo que toda a comunidade tivesse conhecimento do ocorrido e a humilhação que isso traria assim que a família fosse exposta, Charles pode ter se desequilibrado psicologicamente e decidido assassinar a esposa e os filhos a sangue frio.
Em outro livro da mesma autora, a melhor amiga de Marie chamada Ella May embasa essa teoria, relatando que a amiga veio até ela pouco antes dos assassinatos e lhe revelou que estava sim grávida do pai e estava desesperada com essa notícia, além de confirmar que tanto Charles quanto Fannie estavam cientes da gravidez.
Mesmo sendo a teoria mais forte em relação as motivações que Charles teria, não existe nenhuma evidência médica de que Marie estava realmente grávida, mas ainda assim a teoria chama muito a atenção e pode realmente ser verdade a relação de envolvimento incestuoso, e levando em conta a época na qual o caso ocorreu, pode apenas ter sido uma suspeita de Marie levada ao pé da letra, se caso for verdade.
Outra suposição seria de que, após ter sofrido um ferimento na cabeça enquanto arava um pedaço de terra na fazenda, Charles acabou adquirindo problemas psicológicos que o levaram até seus atos monstruosos. Segunda a autópsia e análise feita no Hospital Johns Hopkins, não foi apresentado nenhuma anomalia ou qualquer sinal possível de que realmente esse acidente tenha afetado o cérebro de Charles, mas os familiares e amigos dele acreditavam veementemente que esse poderia sim ser o motivo do surto, já que suas atitudes realmente se alteraram após o acidente.
Relato Assombroso
Após as mortes, Charles e a família foram enterrados nas proximidades de Walnut Cove, em uma área localizada fora do solo da igreja. Há quem acredite que esse seja o motivo da família não encontrar paz após seu fim, e passam para frente relatos de assombrações onde anteriormente a família morava.
Pouco após os crimes, a fazenda onde a família foi assassinada se tornou um ponto turístico criado por Marion Lawson, irmã de Charles. Segundo os visitantes, sempre que entravam no lugar era possível sentir o ambiente como algo sufocante, além de provocar sensações de tristeza e pavor.
Haviam muitas pessoas que continuaram cercando a casa mesmo após ela ter sido fechada para o público, às vezes até mesmo invadindo o local para tentar presenciar alguma coisa paranormal, e segundo seus relatos, essa pessoas chegaram a ver os espíritos das crianças brincando perto da casa e também dentro dela.
Depois de uma reforma, os assoalhos da casa foram retirados e usados para construir uma ponte através do riacho que passava perto da residência, e muitas pessoas que passam por essa ponte contam que uma névoa estranha costuma cercar os carros e o veículo se desliga inexplicavelmente. Outros até mesmo diziam conseguir ver impressões digitais pequenas começarem a cobrir as janelas e o pára-brisas.
Conclusão
O único filho que sobreviveu ao massacre, Arthur Lawson, chegou a se casar posteriormente e dentro de seu casamento ele teve quatro filhos, infelizmente Arthur faleceu quando tinha apenas 32 anos em 1945, após sofrer um acidente de carro.
Há um pequeno museu dedicado à família localizado na loja Madison Dry Goods Country, em Madison, Carolina do Norte. O museu foi construído exatamente onde a antiga fazenda residia, mas anterior à loja, aquele terreno tinha se tornado uma casa funerária, o que aumenta ainda mais as especulações de assombrações.
Os oito Lawsons que morreram naquele dia, incluindo Charles, foram enterrados junto do terceiro filho, que faleceu nove anos antes da tragédia, compartilhando entre si a única lápide.




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